Canto de Ossanha, à la scène et à la maison
Vinícius de Moraes (ou Vinícius de Morais, comme il semble maintenant qu’il faille écrire son nom) n’a pas seulement connu de nombreux mariages (huit) et de multiples conquêtes, mais a également collaboré avec un grand nombre de compositeurs. Bien sûr, Tom Jobim, mais aussi Carlos Lyra, Pixinguinha, Edu Lobo, Dorival Caymmi, Chico Buarque, et Toquinho, qui l’accompagnait jusqu’à la fin de sa vie, parmi d’autres.
La rencontre avec Baden Powell
Baden Powell a croisé le chemin de Vinicius en 1962, et très rapidement, il a commencé à se produire avec le poète. Ensemble, ils ont exploré une facette très différente de la bossa nova de Tom Jobim et João Gilberto, cherchant à relier les racines de la musique brésilienne à ses influences africaines. Leur collaboration a culminé avec l’album Os Afro-Sambas en 1966, qui présente des chansons intégrant toutes les divinités d’Umbanda, du Candomblé et autres traditions.
Qui est Ossanha ?
Originaire d’Afrique et représentation de l’Umbanda brésilienne, Ossanha (qui a divers noms et orthographes) est l’esprit, l’Orixá des feuilles sacrées et des herbes médicinales. Il est mâle pendant six mois de l’année et femelle le reste du temps. Ossanha détient le secret des feuilles magiques, apportant à la fois une grande force (axé) et parfois des maux de tête, largement utilisées dans certaines cérémonies plus ou moins secrètes.
Performances mémorables
Je vous propose deux interprétations : la première est un concert à Milan en 1978, réunissant Vinicius, Jobim au piano, Toquinho et Miúcha, avec Mutinho à la batterie et Georgina de Moraes aux percussions (qui heureusement, ne chantait pas).
La seconde version, très agréable, a été enregistrée à la maison de Vinicius, avec Baden cette fois. Ewê ô !
Parole de Canto de Ossanha
O homem que diz dou (não dá)
Porque quem dá mesmo (não diz)
O homem que diz vou (não vai)
Porque quando foi Já não quis
O homem que diz sou (não é)
Porque quem é mesmo é (não sou)
O homem que diz ‘to (não ‘tá)
Porque ninguém ‘tá Quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai (não vou)
Vai, vai, vai (não vou)
Vai, vai, vai (não vou)
que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Amigo sinhô Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr’o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr’o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Vai vai vai vai (amar)
Vai vai vai vai (sofrer)
Vai vai vai vai (chorar)
Vai vai vai vai (dizer)
eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Vai (amar)
Vai vai vai vai (sofrer)
Vai vai vai vai (chorar)
Vai vai vai vai (dizer)
eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Vai vai vai vai
Vai vai vai vai
Vai vai vai vai